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Reconhecimento facial: entenda a tecnologia e os limites para sua utilização

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Embora não seja uma tecnologia nova, o reconhecimento facial é cada vez mais preciso e utilizado para promover maior segurança, apesar de algumas barreiras éticas para o uso



Por Redação em 22/10/2021

Há tempos as pessoas já se acostumaram com a tecnologia de reconhecimento facial. Um exemplo disso é a marcação de fotos de amigos e familiares em redes sociais, como o Facebook, que utiliza o recurso (pelo menos) desde 2017. No caso, fotos e vídeos anteriores do usuário, bem como sua localização, são analisados por meio de algoritmos que ajudam na identificação. 

Os recursos de inteligência artificial utilizados para análise evoluíram, fazendo com que a tecnologia passasse a ser usada para segurança, como uma espécie de “senha de acesso” em ambientes físicos e virtuais. No entanto, já existem discussões que apontam que a biometria facial pode comprometer a privacidade e até ferir princípios éticos. 

Ou seja, será que a sua empresa (ou condomínio) pode utilizar esse recurso para segurança? Quais são os limites dessa tecnologia? Confira as respostas aos principais questionamentos sobre o tema. 

Como funciona o reconhecimento facial?

Trata-se de um sistema biométrico que mapeia o rosto humano, analisando aspectos como distância entre os olhos, comprimento do nariz, características dos lábios, formato do queixo, entre outros. As informações são armazenadas na forma de algoritmos, em um banco de dados. 

Depois disso, é feito o reconhecimento propriamente dito, que é a forma como a máquina identifica um ser humano. O mesmo sistema pode fazer também a validação, ou seja, autorizar uma ação com base na checagem e confirmação de identidade. 

Qual a relação do reconhecimento facial com o deep learning?

Deep learning é uma das tecnologias de inteligência artificial que tem mudado a maneira como as máquinas atuam. Seu conceito é baseado nas redes neurais, que tentam imitar o comportamento do cérebro humano para compreender as informações que o sistema capta, gerando resultados dinâmicos com esses dados. 

Assim, a tecnologia está diretamente ligada à classificação e validação das imagens captadas por câmeras.

Como a tecnologia pode ser utilizada?

Em princípio, em qualquer ação que demande a necessidade de identificação das pessoas. Por exemplo, alguns documentos, como a carteira de habilitação digital, exigem a biometria facial de seu portador. O acesso ao aplicativo gov.br, que oferece vários serviços aos cidadãos brasileiros, também exige o reconhecimento facial. Até mesmo a prova de vida de aposentados já é feita com o uso da tecnologia.

Outros usos são para permissão de acesso, com fins de segurança, games (muitos, inclusive, além de reconhecerem o rosto também modelam o corpo da pessoa, para simular movimento), sistemas de pagamento e até uso em aeroportos.

O reconhecimento facial afeta a privacidade?

Essa é uma questão que tem despertado bastante polêmica, especialmente quando se trata de sistemas que fazem o reconhecimento de forma remota, sem que as pessoas saibam. De acordo com uma publicação do TecMundo, a revista Nature realizou uma pesquisa com 480 cientistas do mundo todo que trabalham com reconhecimento facial, visão computacional e inteligência artificial. Cerca de 40% defenderam que é preciso obter o consentimento dos indivíduos antes de usar os rostos; 58%, porém, acharam que não é necessário, justificando, para tanto, o uso para estudos científicos.

No entanto, nem sempre os dados são usados para finalidades científicas; por exemplo, em maio de 2021 a ViaQuatro, concessionária da linha amarela do metrô da capital paulista, foi condenada pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) a uma multa de R$ 100 mil, por captar dados dos passageiros, como gênero, idade e até sua emoção no momento da imagem. De acordo com reportagem da Folha de São Paulo, o Idec entendeu que se tratavam de dados sensíveis, obtidos sem consentimento e com finalidade comercial, o que fere a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). 

Além disso, apesar da evolução tecnológica, já foram reportados diversos erros relacionados ao reconhecimento facial que apontam para questões raciais. Por exemplo, um video de 2009 sobre o software da Hewlett-Packward, que não conseguia identificar rostos negros, ou a câmera Nikon, incapaz de identificar rostos asiáticos.

Assim, a tecnologia de reconhecimento facial ainda tem grandes desafios pela frente. Para as empresas que querem se beneficiar da segurança, a palavra de ordem é responsabilidade no uso dos dados captados. 



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