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TICs podem ser cruciais na descarbonização global

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Empresas de TI e Telecomunicações, apesar de emitirem poucos gases de efeito estufa diretamente, são grandes contratantes de setores que poluem mais e, por isso, podem estimulá-los a acelerar a transição energética



Por Redação em 19/10/2021

É curioso que TI e Comunicações (TIC) respondam por mais de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE). Afinal, tratam-se de serviços digitais, cujas matérias primas que oferecem são dados, trafegando virtualmente. Mas é verdade, e assim as TICs emitem mais que o dobro de setores abastecidos diretamente por combustíveis fósseis, como a aviação.

Segundo uma pesquisa do Boston Consulting Group (BCG), grande parte (chegando a 90% em alguns casos) das emissões é gerada pela cadeia de fornecimento das TICs. A energia elétrica, que chega a representar 40% dos custos operacionais (opex) de uma operadora de telecomunicações, é um exemplo. “Isto mostra que, além de reduzir as próprias emissões, de ponta a ponta, as empresas de telecomunicações, que são parte representativa da indústria de TICs, têm a oportunidade histórica de ajudar outras indústrias a se tornarem mais eficientes em termos de energia”, pontua o estudo.

Isso tem avançado mundialmente e a expectativa é que todas as grandes operadoras de telecomunicações zerem as suas emissões de poluentes (net zero carbon) até 2050. Mais ambiciosas, algumas dessas empresas assumiram o compromisso de, até o fim de 2030, reduzir a energia necessária por unidade de tráfego de dados em cerca de 70%.

Para os analistas da BCG, se as TICs continuarem avançando nas práticas ESG – principalmente no Espoco 3, conforme o GHG Protocol (entenda mais a seguir) – elas poderão ajudar a reduzir em até 15% toda a emissão de gases de efeito do planeta até o fim desta década. “Isto ultrapassa um terço das reduções totais necessárias para cumprir as metas globais de descarbonização no período. No total, estamos falando de 12 gigatoneladas de gás carbônico equivalente (CO2e) que as TICs podem impedir que sejam emitidas”, dizem os analistas do estudo.

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Projeto brasileiro ilustra o engajamento ESG das Telcos

No Brasil, algumas ações despontaram recentemente para comprovar o engajamento do setor de TIC com a transição energética. O Conjunto Eólico Campo Largo 2, construído pela ENGIE e contratado para fornecimento de energia para a Claro, é um exemplo. 

O empreendimento foi classificado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) como o maior do tipo já realizado por empresas privadas em geração de energia distribuída do país. 

Ele consiste no fornecimento de energia eólica para o abastecimento de 90 unidades da Claro, incluindo data centers, headends e prédios administrativos espalhados várias por regiões do país, inclusive São Paulo, onde atende a matriz da operadora.

O contrato firmado entre 2018 e 2019 foi do tipo PPA (Power Purchase Agreement) e consiste no fornecimento de energia limpa durante 12 anos. Campo Largo 2 começou a gerar energia elétrica renovável em setembro deste ano e o seu fornecimento integra um projeto mais amplo da operadora de telecomunicações, chamado Energia da Claro.

O programa é voltado à contração de fontes renováveis através do Mercado Livre de Energia, em média tensão, onde a Claro tem como meta suprir 80% do seu consumo com energias renováveis já em 2022.  “Neste segmento [de incentivo à produção de energia limpa], trabalhamos com um modelo de negócios focado em contratos de longa duração e parcerias bem estabelecidas, justamente para ajudar a alavancar a construção de novas usinas e contribuir, de forma ativa, para o desenvolvimento e crescimento do setor com iniciativas limpas, renováveis e sustentáveis”, disse Hamilton Silva, diretor de Infraestrutura da Claro.

Telecom ataca o Escopo 3 de emissões

O movimento da Claro ilustra o que o relatório do BCG sugere como estímulo à produção e consumo de energia renovável no setor de TICs. Isso é basicamente o que estabelece o Escopo 3 de emissão de gases de efeito estufa, conforme o GHG Protocol.

Entenda, a seguir, o que esses escopos estabelecem:

Escopo 1

Emissões diretas de GEE provenientes de fontes que pertencem ou são controladas pela organização. A quantificação das emissões de Escopo 1 é considerada obrigatória pelo GHG Protocol.  

Escopo 2

Emissões indiretas de GEE provenientes da aquisição de energia elétrica da rede ou de vapor, com quantificação também obrigatória conforme o GHG Protocol. 

Escopo 3 

São as outras emissões indiretas que ocorrem ao longo da cadeia de valor, como as provenientes da extração e produção de matérias-primas, do transporte de funcionários, das emissões relativas ao uso final dos produtos e de viagens de colaboradores, entre outras.  



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