bem estar tecnologia

Bem-estar, investimentos e tecnologia: a tríade que gera resultados

3 minutos de leitura

Em artigo sobre o Web Summit Rio, a jornalista Angélica Mari mostra como investimento em saúde aliado à tecnologia pode resultar em uma força de trabalho mais satisfeita e eficiente



12/05/2023

A relação entre o bem-estar das pessoas e os resultados de uma organização é algo que está cada vez mais no radar de empresas, sobretudo nas mais atentas a tendências. Nestes empregadores, existe a percepção de que o recurso corporativo mais importante é o humano, e há a necessidade de investir em ferramentas e condições para que colaboradores preservem sua saúde física e mental para fazerem melhores entregas. 

Este foi o tema de uma das discussões no palco principal da primeira edição do Web Summit Rio, que aconteceu na semana passada. Durante o painel “Work-life balance: Health is wealth”, Victoria Repa, CEO da startup ucraniana Betterme e João Barbosa, um dos co-fundadores do unicórnio brasileiro Gympass, ofereceram perspectivas complementares sobre o avanço de estratégias de bem-estar, e o papel da tecnologia nessas estratégias.  

Ferramentas digitais para o bem-estar

Do ponto de vista do consumidor final, uma das tendências mais relevantes sobre como as pessoas têm usado ferramentas digitais para o bem-estar nos últimos anos está relacionada à prevenção, disse Repa, da Betterme. “A maioria das mortes atualmente é por doenças crônicas e a medicina tradicional não é suficiente para resolver estes problemas”, apontou a fundadora, citando dados da Organização Mundial da Saúde, que calcula que 74% dos óbitos globais estão ligados a doenças como câncer, problemas cardíacos e neurodegenerativos. A maioria destas mortes (86%) ocorre em países de baixa e média renda, como o Brasil. 

victoria repa
Victoria Repa (Crédito: Eóin Noonan/Web Summit Rio – Flickr)

“A medicina de estilo de vida enquanto melhor cura para estes problemas é um tema que será muito falado. A discussão sobre estilo de vida é sobre prevenção e é também sobre tecnologia,”, disse Repa, cuja empresa desenvolve um aplicativo que ajuda usuários a promoverem mudanças na saúde física e mental.

Como o conhecimento das pessoas sobre a necessidade de se cuidar aumentou significativamente – e especialmente após a pandemia – organizações se veem instadas a responder a essas novas demandas, disse Barbosa, da Gympass. A empresa gerencia um ecossistema que permite o acesso a aplicativos com foco em áreas desde meditação até gestão do sono, além de prover acesso a academias e locais esportivos aos funcionários das companhias assinantes do serviço. 

“Empresas precisam ser protagonistas em apoiar seus colaboradores na busca por bem-estar e a tecnologia é um grande canal para isso”, acrescentou o executivo. 

A importância do investimento em bem-estar para funcionários foi o objeto de um estudo da Gympass com mais de 9 mil entrevistados nos nove países em que a empresa atua, incluindo Brasil, Argentina, Espanha, Chile, Estados Unidos e Reino Unido. 

Segundo a pesquisa, 83% das pessoas entrevistadas acreditam que bem-estar é um pilar tão importante quanto o salário, enquanto 85% concordam que tenderiam a permanecer em um cargo se a empresa priorizasse estes aspectos. Além disso, 20% dos respondentes no Brasil sentem que, por conta do trabalho, não têm tempo de cuidar do bem-estar. 

Em outra pesquisa, feita com mais de 2 mil pessoas pela plataforma Futuros Possíveis em parceria com a Opinion Box, 74% afirmaram que flexibilidade de horários é, depois do salário, o fator mais importante para a satisfação no trabalho. Este cenário sugere a oportunidade de promoção de uma integração entre trabalho e a vida do colaborador, com soluções tecnológicas focadas na saúde mental e física.

Um olhar para o futuro 

No debate sobre como a tecnologia pode apoiar o avanço de estratégias de bem-estar, o que captura a atenção do consumidor final se entrelaça com as prioridades das corporações. Entre estas tendências, está a adoção de tecnologias vestíveis e dispositivos de Internet das Coisas (IoT), que podem fornecer dados e insights personalizados para apoiar decisões de saúde. 

Crédito: Eóin Noonan/Web Summit Rio – Flickr

“A próxima grande revolução que a tecnologia poderá promover é relacionada à promoção de mudanças de estilos de vida com abordagens individualizadas”, disse Repa, durante o painel no Web Summit. 

Com este objetivo em mente, a Betterme criou uma plataforma que conecta smartwatches e fitness bands com sua plataforma de coaching, com planos e conteúdo relevantes para as necessidades do usuário, com base em dados em tempo real.

A outra grande tendência em bem-estar que diz respeito tanto a indivíduos quanto a empregadores é relacionada ao uso de realidade virtual e aumentada, com experiências imersivas como salas de meditação virtuais, ou desafios de atividade física em grupo. Estas abordagens podem ajudar colaboradores, independentemente de sua localização, a se manterem engajados em programas de bem-estar.

Além disso, plataformas de bem-estar com uso de inteligência artificial permitem a criação de planos para colaboradores que são aderentes às suas necessidades, e a análise de dados permite a identificação de tendências e riscos, bem como a recomendação de intervenções. 

Segundo Barbosa, da Gympass, não é preciso explicar os benefícios de investir em bem-estar a colaboradores. O desafio agora está nas mãos dos tomadores de decisão nas empresas. “Todo mundo quer estar saudável, o ponto é entender por que as pessoas não agem em relação a isso”, afirma o executivo. 

“O desafio que estamos tentando resolver com tecnologia, especialmente com a personalização da experiência, é ajudar as pessoas a encontrarem uma atividade que funcione para elas, e criarem melhores hábitos usando a tecnologia como um habilitador”, conclui. 

* Angelica Mari, jornalista de tecnologia, pesquisadora em cyberpsicologia e CEO da Futuros Possíveis


E-book gratuito: saiba como implementar uma cultura de cibersegurança na sua empresa

Saiba mais


Matérias relacionadas

computacao em nuvem Estratégia

Computação em nuvem pode gerar economia de US$ 3 trilhões até 2030

Relatório da consultoria McKinsey aponta melhorias que a tecnologia vai agregar

golpes digitais cresceram Estratégia

Golpes digitais cresceram 35% em 2023

Os golpes bancários ainda lideram a lista por segmentos, no Brasil

ia em bancos Estratégia

Uso de IA em bancos traz hiperpersonalização de atendimento

Instituições financeiras apostam na tecnologia para replicar conceito de private banking no varejo

tentativas de fraude Estratégia

Vendas de fim de ano registram cerca de R$ 83,8 milhões em tentativas de fraude

Contudo, estudo realizado pela ClearSale revelou queda de 15,7% no valor das tentativas, em relação a 2022