Mulheres na Tecnologia

paloma lataliza

Mulheres na tecnologia: sensos de comunidade e pertencimento ampliam oportunidades

5 minutos de leitura

Paloma Lataliza, engenheira de cloud da Embratel, usa a sua experiência para estimular outras mulheres nas carreiras ligadas à tecnologia



Por Redação em 01/03/2024

Nos últimos anos, o mercado de tecnologia mudou e se tornou mais diverso, com maior participação feminina, inclusive em cargos de liderança, e também com a presença de outros grupos minoritários, como mulheres negras, transexuais e com mais de 50 anos. “Existem oportunidades para todas. As mulheres têm total capacidade de seguirem uma carreira técnica, em algumas situações com diferenciais entre seus pares masculinos. Mas, é preciso ter autoconfiança e acreditar em seu potencial”, diz Paloma Lataliza, engenheira de cloud da Embratel. 

Ela ingressou no mercado de tecnologia em 2019 e conta que de sua turma da faculdade (Ciência da Computação), foi a única mulher a se formar. Depois disso, ao ingressar no mercado de trabalho, enfrentou algumas dificuldades, mas sempre as entendeu como aprendizado. “Em meus primeiros trabalhos, percebi que a opinião masculina era mais valorizada, até por uma questão de cultura da empresa onde atuava. Porém, apesar disso, sempre procurei transformar essas experiências em aprendizado. Em cada empresa por onde passei, acumulei experiências, não somente profissionais, mas também de relacionamento e posicionamento, as quais contribuíram para meu crescimento”, completou. 

Em entrevista para o Próximo Nível, ela avaliou que a diversidade e inclusão no setor faz toda a diferença. “A diversidade de pensamento e de experiências que as mulheres trazem para o campo impulsiona a criatividade e a resolução de problemas, levando a soluções mais abrangentes e eficazes”, diz.

Com o propósito de estimular outras profissionais da área técnica, e também jovens em início de carreira que têm dúvidas sobre seguir este caminho, Paloma começou a ter um papel preponderante em comunidades do segmento, especialmente as ligadas à Amazon Web Services (AWS). 

Embora tenha dado prioridade às comunidades femininas e seja também  co-fundadora do Mulheres na Nuvem MG (uma rede de apoio que iniciou com meninas de Minas Gerais, mas atualmente está em escala internacional), Paloma atua idealizando eventos, conteúdo técnico, palestras, mentorando e ajudando qualquer pessoa que tenha interesse pelo tema.  Por isso, ela está engajada na organização do primeiro AWSome Women Community Summit, que acontecerá em Belo Horizonte (MG), em 9 de março. O evento, que também é realizado em vários locais do mundo, é organizado pelas mulheres da comunidade ativa AWS User Groups, AWS Community Builders (reconhecida pela criação e impacto de conteúdo sobre a plataforma) e AWS Heroes. Esta será a primeira edição no Brasil. Além das comunidades da AWS, Paloma também é voluntária no Escola da Nuvem.

“Participar destas comunidades foi um grande diferencial para minha carreira e desenvolvimento pessoal. Hoje, faço parte de várias comunidades, porque isso agrega valor para mim, pessoalmente, e também ajuda outras mulheres”, diz Paloma. Ela também atua com mentoria para estimular o crescimento profissional feminino na área.

Acompanhe, a seguir, alguns destaques da conversa com o Próximo Nível

Você poderia nos falar sobre sua jornada no setor de tecnologia, desde sua formação até a atuação atual?

Estudei ciência da computação e, hoje, estou terminando minha pós-graduação em cloud computing. Comecei a trabalhar no setor de tecnologia em 2019, inicialmente como desenvolvedora e depois como coordenadora na área de suporte de uma empresa. Foi nesse período que me apaixonei por computação em nuvem. Mas, no começo da carreira, me chamavam até para consertar ar-condicionado! Uma das pessoas que me trouxe inspiração foi uma mulher, que começou a trabalhar em infraestrutura de cloud computing, uma área pela qual me interessei, em uma pequena empresa em que trabalhei no passado. Procurei me aproximar dela e aprender um pouco mais sobre o tema.

Ao mesmo tempo, me aproximei de algumas comunidades de tecnologia, que foram fundamentais. Elas me deram apoio e acolhimento, o que me permitiu avançar na carreira e conhecer novas tecnologias. Eu me senti apoiada e incentivada por pessoas que compartilhavam experiências semelhantes. E foi assim que consegui estímulo, tanto para buscar novos conhecimentos quanto para galgar oportunidades.

Agora, estou nas mesmas comunidades, procurando ajudar outras mulheres a superarem os desafios da carreira na área de tecnologia. Faço trabalhos de mentoria, ajudo no direcionamento das carreiras, aconselhamento e apoio para as novas profissionais. Isso não é um trabalho remunerado, mas entendo como um propósito, que é promover o empoderamento feminino na área de tecnologia.
presenca feminina na tecnologia

Como você avalia a presença feminina no mercado de tecnologia atualmente?

Definitivamente, está havendo uma mudança positiva. Embora o setor ainda seja predominantemente masculino, tenho visto mais mulheres entrando e crescendo na área. Na empresa em que trabalho, a Embratel, por exemplo, metade da minha equipe é composta por mulheres. Hoje, aqui na companhia, vejo que existe respeito ao trabalho das profissionais femininas e não há discriminação, mas em muitas empresas as mulheres ainda precisam provar que são capazes, que têm conhecimento e que podem ser iguais – ou melhores – do que os seus colegas masculinos.

Você teve experiências diferentes desta?

Sim, infelizmente. Trago experiências de outras organizações nas quais percebi que as minhas opiniões não eram respeitadas. Mas sempre encarei isso como aprendizado. Lembro bem do início da minha carreira, quando percebia que um homem, falando a mesma coisa que eu, era mais respeitado. E é por esta razão que este evento da AWS, focado no público feminino (vamos receber cerca de 400 mulheres), é tão relevante. 

As mulheres precisam de apoio, estímulo e reconhecimento. Não há distinção de capacidades por gênero. Mas, muitas vezes, as mulheres se sentem inseguras, justamente porque seu papel na sociedade sempre foi associado ao cuidado. As mulheres cuidam dos filhos, da família, dos pais idosos… Por conta disso, acabam ficando em posições que não eram exatamente as que queriam. Queremos mostrar, cada vez mais, que não precisa ser assim: toda mulher tem potencial para conseguir alcançar a posição que deseja e o conhecimento necessário para tanto.

E como você se vê nesse universo, principalmente sobre o apoio a outras mulheres que buscam progressão profissional?

Minha própria experiência me motivou a ajudar outras mulheres na tecnologia. Eu sei como é enfrentar desafios e dificuldades no início da carreira, e quero ser uma fonte de apoio e orientação para outras mulheres que estão passando por este momento. Não quero que as jovens profissionais enfrentem as mesmas dificuldades pelas quais passei e, por isso, o mercado tem que mudar. Não são só as mulheres do setor que precisam mudar, mas o mercado como um todo, trazendo reconhecimento, evitando diferenças e promovendo as capacidades femininas.

O que você aborda nas mentorias e nas comunidades que participa?

Nas mentorias e nas comunidades, sempre procuro passar essa mensagem de empoderamento, de valorização da carreira das mulheres. Não deve existir nenhum tipo de distinção nos cargos em função do fato de o profissional ser homem ou mulher. Muito menos em cargos de liderança. Hoje, me sinto feliz atuando em uma equipe diversa que respeita e valoriza as mulheres, mas sabemos que o mercado de trabalho, como um todo, não é assim. Daí a importância de, não só valorizar o trabalho e o talento das mulheres, mas, também, de respeitar as profissionais do sexo feminino. Existem muitos desafios para as mulheres, mas acredito que nós temos, justamente por isso, um olhar mais abrangente, em qualquer situação. As mulheres têm maior facilidade de interpretar os mais diferentes fatores relacionados a uma questão específica.

Pode exemplificar?

Sim. Estive recentemente na faculdade em que me formei, distribuindo alguns convites para que mulheres participem do evento do dia 9 de março. Conversando com um dos meus professores, ele mesmo disse que enxerga uma grande diferença na forma de trabalho feminina – o que não significa maior ou menor competência, apenas características diferentes. Em sua visão, as mulheres constroem códigos mais bem-estruturados. Isso acontece porque, geralmente, a gente tem uma visão mais macro. Nunca tinha pensado nisso, mas depois de conversarmos vi que faz muito sentido, inclusive observando o desempenho das profissionais que tenho mentorado.

Como as mulheres interessadas podem obter mais informações sobre o evento da AWS?

O AWSome Women Community Summit acontece no dia 09 de março, simbolicamente após o Dia Internacional das Mulheres.  O foco é celebrar e capacitar mulheres na tecnologia, além de apoiar o seu desenvolvimento técnico, por meio de uma rede de apoio e de ampliação de networking. É possível obter mais detalhes neste link.


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