Febraban Tech

Nuvem é habilitadora da bancarização

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Em painel da Febraban Tech, especialistas mostraram a importância central da nuvem no avanço da digitalização do setor financeiro e na consequente inclusão bancária da população



Por Redação em 28/06/2023

A nuvem tem papel habilitador na bancarização dos cidadãos brasileiros, segundo especialistas do Banco do Brasil, Banco Inter e Embratel. Eles participaram de painel dedicado ao tema na Febraban Tech 2023, onde foi lembrado que cerca de 80% dos players do setor financeiro já adotam estratégias multi-cloud, segundo o último estudo da Febraban. Esta e outras estratégias de cloud, segundo os painelistas, foram fundamentais para viabilizar o aumento de brasileiros bancarizados desde 2019. Em números totais, passamos de 165 milhões para 188 milhões (14%) de pessoas com contas em banco no período.

“As soluções tecnológicas, habilitadas pela cloud computing, impulsionaram o avanço na bancarização, principalmente com as contas digitais, o PIX e o open bank”, contextualizou Diuliana Franca, diretora de Serviços Cloud B2B na Embratel e mediadora do painel.

Banco Inter e um histórico na nuvem

nuvem e habilitadora
Divulgação – Banco Inter

No Banco Inter, a migração para a nuvem remete ao ano de 2016. Segundo Guilherme Ximenes, diretor de Tecnologia da Informação, foi quando a companhia digitalizou o processo de abertura de contas, e viu os números saltarem de dezenas para milhares, diariamente. Ao mesmo tempo que ganhava clientes, o Inter lançou um aplicativo para melhor atendê-los. “Estava tudo ótimo, indo muito bem, com novos clientes e crescimento. Mas os gargalos surgiram e não tínhamos tempo para montar um ambiente on-premise para atender à nova demanda”, lembrou ele. 

Entre 2017 e 2018, o Banco Inter migrou totalmente para a nuvem. “Aí resolvemos o problema de infraestrutura, mas vimos que não era só ele. Precisávamos também resolver deficiências de migrações, como a de banco de dados”, disse. Isto causou impacto no atendimento, segundo Ximenes, com URAs (unidades de respostas audíveis) caindo e outros problemas. “Então veio a Embratel, com a solução de contact center em nuvem”, detalhou.

Já com mais de um milhão de clientes, o Banco Inter testou a solução e, de 2018 para 2019, fez o piloto e a adoção. “Implantamos e, da noite para o dia, vimos os problemas de atendimento serem resolvidos”, disse.

O que é novo, vai para a nuvem habilitadora

No Banco do Brasil, a nuvem também tem exercido papel habilitador. Em suma, disse Marisa Reghini Ferreira Mattos, vice-presidente de Negócios Digitais e Tecnologia do BB, “o que é novo já vai direto para a nuvem”. 

Com 80 milhões de clientes e um histórico de mais de 200 anos, o banco tem, hoje, estratégia de TIC baseada em cinco pilares. “E dois deles têm muito a ver com a nuvem”, adiantou a executiva.

O primeiro é a plataforma, que deve permitir desenvolvimento mais ágil e também que novas tecnologias sejam acopladas, quando necessário. Outro pilar é a oferta de TI. Há pouco tempo, segundo Marisa, todas as soluções eram desenvolvidas em casa e, desde que este segundo pilar foi estabelecido, as decisões passaram a ter diretrizes de SaaS e low-code. “Com base nisso, avaliamos se a estrutura será de nuvem ou on-premise”, detalhou. “Porém, quando é uma nova solução do core business, já partimos direto para a nuvem”, destacou, completando que a solução de open banking do BB, por exemplo, já foi toda desenvolvida em cloud computing.

Atualmente, o Banco do Brasil atua de forma agnóstica, com parceiros de nuvem privada e nuvem pública. “A nuvem está em todos os lugares. É preciso desenvolver soluções para essa tecnologia, pois tudo que está mais atual foi pensado para ela”, afirmou a executiva.

Para Fabiana Falcone, diretora de Desenvolvimento de Negócios Cloud na Embratel, os casos do BB e do Banco Inter mostram que a nuvem é mais que tecnologia: “ela transforma processos, sendo um ‘pano de fundo’ para fazer tudo acontecer”, disse. Como parte de processos, portanto, a governança é necessária e, na visão de Fabiana, funciona como bússola para as estratégias de nuvem.

A executiva explicou que a Embratel trabalha sobre três pilares de governança na nuvem. O primeiro é operacional, e vai no sentido de cuidado com os processos e sobre como transformá-los para um novo momento do negócio, quando necessário. “Junto a isso estão as pessoas e as suas transformações culturais para acompanhar este pilar”, acrescentou.

O segundo pilar é de governança financeira. “Estávamos acostumados a fazer compras baseadas em business cases, mas agora temos um modelo sob demanda. E mais: ele não envolve só capex (custo de aquisição), mas também opex (custo operacional)”, detalhou a especialista. Segundo ela, essa diferença, junto com o FinOps, depende de sincronia cultural entre as pessoas e também de muita automação. 

O terceiro pilar detalhado por Fabiana é a governança da segurança, e a ele estão relacionadas as boas práticas e a regulamentação. “Porém, o mais importante é o plano de contingência, que passa por uma matriz de responsabilidade que vai do usuário final ao provedor de nuvem”, disse.

Papel ESG da nuvem habilitadora

Como a nuvem permite que as diferentes camadas da população acessem os serviços digitais, Fabiana entende que, no fim do dia, as tecnologias habilitadas por ela permeiam as nossas vidas e, portanto, ela exerce, naturalmente, um papel social. Segundo a executiva da Embratel, o advento das redes sociais é um exemplo de realidade que aproximou os vários extratos sociais, no que tange o acesso à informação. “E a nuvem está por trás disso, dando viabilidade e escala para reduzir as fronteiras”, explicou.

Além de habilitar soluções que ampliam o acesso à informação, como lembrou Fabiana, a nuvem também é ESG porque otimiza infraestrutura para que as tecnologias cheguem a mais pessoas e negócios. 

O assunto foi provocado por Christiano Rohlfs Coelho, head de Sustentabilidade Empresarial do Banco Inter. Ele esteve na plateia do painel “No próximo nível: a nuvem e a nova era dos serviços financeiros”, na Febraban Tech, e questionou sobre o potencial de mitigação de emissões da nuvem.

Em resposta, Diuliana Fanca, da Embratel, lembrou que, naturalmente, a nuvem otimiza a quantidade de data centers. “Se pensarmos que cada empresa aqui tinha uma quantidade absurda de data centers e o impacto negativo que eles tinham foram mitigados pela nuvem, certamente teremos bons números de reduções de emissões de gases de efeito estufa”, exemplificou Diuliana.

Lembrando de um caso pessoal, Fabiana concluiu que um morador da favela da Maré, no Rio de Janeiro, contou que tomava dois ônibus para ir e dois para voltar para pagar um boleto. “Ao ser bancarizado (sendo a nuvem a habilitadora disso) esse custo social e de emissões, com o deslocamento, deixou de existir”, concluiu.


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