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O painel “Mobilidade e interatividade: o futuro do entretenimento”, na SET Expo, abordou cases e usos disruptivos das novas tecnologias e redes



Por Redação em 11/08/2023

Estratégias para construir e estabelecer novas fronteiras. Esse foi o mote do painel “Mobilidade e interatividade: o futuro do entretenimento”, realizado na última quarta-feira (9 de agosto), durante o evento SET Expo 2023, que teve como focos principais o 5G e o Edge Computing, mas também explorou cases de IA e de Realidade Aumentada, a partir das apresentações e conversas entre os executivos da Embratel, Grupo Globo, IBM, Nokia e Nvidia.

A apresentação de Guilherme Saraiva, Diretor Comercial para os Segmentos de Mídia e Satélite na Embratel, por exemplo, abordou as múltiplas oportunidades que o 5G traz para a indústria de mídia e entretenimento. “O 5G promete melhorias significativas na velocidade e latência da rede, e a Embratel enxerga isso como uma chance de levar os processos atuais para um patamar superior, com foco na produção de conteúdo”, garantiu.

guilherme saraiva
Guilherme Saraiva, Diretor Comercial para os Segmentos de Mídia e Satélite na Embratel

Como case, o executivo citou o projeto do Carnaval de 2023, realizado em conjunto com a Rede Globo, no qual usou a faixa de frequência de 3,5 GHz para oferecer uma experiência mais interessante na produção de conteúdo dos desfiles. “Mostramos a capacidade do 5G em transmitir dados em tempo real. E, mesmo em um cenário desafiador, demonstramos a eficácia da tecnologia”, analisou.

Embratel habilita distribuição de conteúdo de parceiros

A Embratel também uniu forças com a Globo para criar o Estúdio 4.0, um projeto colaborativo, que resultou no conceito de serviço de uma rede privativa chamada Embratel One, que oferece uma capacidade de 10 Gbps para os clientes, por meio de uma frequência própria da Embratel. “Chegamos a 16 milissegundos de delay apenas, o que é fantástico”, pontuou.

Outra parceria enfatizada é a com o serviço da fabricante sueca Ericsson, utilizando o Ericsson Service Enabler. A solução oferece a oportunidade de trabalhar na prestação de serviços em eventos, por meio da integração com APIs, permitindo aplicações de broadcast sofisticadas.

Saraiva ressaltou a atuação da Embratel como um ‘digital service enabler’. “É uma abordagem que promete habilitar a indústria de mídia, integrando as capacidades do 5G com outras aplicações inovadoras, ajudando as provedoras de serviços das emissoras”, garante.

O 5G no entretenimento

Na apresentação do Grupo Globo, Leonardo Chaves, que recentemente assumiu a posição de Gerente do Lab de Inovações com foco em Telecom da companhia – área que propõe e implementa ações que exploram novas tecnologias aplicadas ao contexto de redes para produção de conteúdo -, foram mostrados cases de utilização do 5G. Vários deles em conjunto com a Embratel. “O 5G tem um enorme potencial para melhorar a qualidade e a interatividade do conteúdo transmitido por nós”, comemorou.

O 5G tem permitido à Globo explorar novas possibilidades em eventos como Rock in Rio, Prêmio Multishow e o Big Brother Brasil, por exemplo. Afinal, a capacidade da rede de quinta geração de proporcionar altas velocidades e baixa latência tem sido fundamental para criar experiências imersivas em tempo real ou mesmo combinar projetos de câmeras cabeadas com dispositivos wireless.

Chaves também mencionou o uso do conceito de network slice, que reserva uma banda na operadora de forma personalizada para eventos ou situações específicas. “Ele é particularmente interessante para grandes produções, como eventos esportivos, nos quais a capacidade da rede precisa ser contratada de acordo com a demanda do momento”, explica.

Para o executivo, a integração entre redes broadcast e redes broadband é fundamental para a evolução das TVs e da distribuição de conteúdo, mas ele também enfatizou que o 5G está permitindo uma maior flexibilidade na instalação de equipamentos e na entrega. “No início da TV digital queríamos alta definição, entrega de melhor qualidade e mais interatividade, e essas possibilidades estão sendo fornecidas agora. Queremos, neste momento, ainda mais mobilidade”, afirmou.

Ele ainda ressaltou que a integração do “combo” de dispositivos móveis e personalização é uma tendência importante, garantindo que o conteúdo seja entregue da melhor forma possível aos usuários. “Em breve podemos ter um fast deploy em um estádio com equipamentos totalmente wireless e trazer novas experiências para os espectadores remotos e no local”, projeta.

O envolvimento da Globo com o 5G também se estende para eventos esportivos internacionais, como a próxima Olimpíada, em Paris (França), em 2024. “A adoção do 5G, aliada às tecnologias como nuvem e fibra, promete transformar a forma como experienciamos eventos esportivos e conteúdos de entretenimento”, admitiu.

A nuvem como centro de distribuição de conteúdo

Wilson Cardoso, vice-presidente do Projeto 5G Brasil da Nokia, destacou como a empresa tem evoluído para atender às demandas de uma indústria de entretenimento em constante mudança.

“Sempre estivemos na vanguarda da inovação, da era das antenas nos telhados à complexidade das redes de cabo e infraestruturas móveis atuais. No entanto, a nova revolução está focada na integração entre a TV digital, a nuvem e as redes móveis. Essa convergência permite que a nuvem se torne não apenas um armazenamento, mas também um centro de distribuição de conteúdo”, argumentou, demonstrando a teoria na prática.

Isso aconteceu ao falar do case da Nokia Arena, localizada em Tampere, na Finlândia, um ginásio no qual a empresa criou uma experiência imersiva em tempo real com uso de realidade aumentada (RA), por meio de 120 câmeras em 360 graus. O evento foi um espetáculo do tenor Andrea Bocelli, em abril de 2023, que proporcionou experiências interativas para o público. Neste e em outros projetos, a Nokia atua em parceria com a operadora local de telecom Elisa para transmitir RA por meio de redes 5G.

Cardoso revelou que esse projeto evoluirá para os Jogos Olímpicos de Paris em 2024. “Nossa meta no evento é continuar integrando tecnologias de ponta, como o 5G, para proporcionar experiências imersivas e personalizadas aos espectadores em todo o mundo”, finalizou.

Mais do que placas para jogos

Sinônimo de computação gráfica, a Nvidia mostrou no painel as suas “armas” para ser um protagonista na transformação da mídia e do entretenimento agora e no futuro. Marcio Aguiar, Diretor responsável pela divisão de Enterprise na América Latina, compartilhou insights e soluções da empresa que têm impulsionado a indústria.

“Entendemos o desafio das empresas ao investir em máquinas individuais para cada desenvolvedor, e para resolver esse problema criamos um programa de aceleração de startups que oferece apoio técnico”, revelou Aguiar. Essa abordagem, que abrange a colaboração (não o investimento direto) com 14 mil startups resultou, por exemplo, na alavancagem dos serviços da startup brasileira AISportistics, especializada em realidade aumentada (RA) e estatísticas esportivas.

O executivo também destacou a criação de um ecossistema de software que oferece mais de 400 aplicações aceleradas pelas GPUs da empresa. Além disso, a Nvidia lançou o Nvidia DGX Cloud, um conceito de processamento para volumes massivos de dados. Outro destaque é a criação da Nvidia GPU Cloud (NGC), um repositório de softwares disponíveis nos marketplaces de provedores da nuvem, que permite que os clientes acessem soluções de maneira mais eficiente.

Saque e voleio digitais, e o 6G

A IBM, em parceria com a sua divisão Red Hat, como pontuou Vinicius Vasconcellos, Senior Consultant CoC TME da IBM Consulting, “está desempenhando um papel crucial na evolução da indústria do entretenimento, incorporando o potencial do 5G e do Edge”. Colaboração que resultou em um caso de sucesso no torneio de tênis de Wimbledon. 

Durante o evento, os espectadores puderam ter experiências em tempo real, com informações e realidade aumentada (RA). Nele, o 5G, juntamente com o conceito de Edge, foram utilizados. “À medida que o 5G é usado, ele evolui e se prepara para novos patamares. Ao mesmo tempo, a indústria de mídia está buscando maior suporte das redes para eventos, e o Edge pode ser um componente vital nesse arranjo, conectando-se à nuvem pública e privada”, explica.

No fechamento da discussão, o moderador introduziu o tema de evolução do 5G, o 6G, despertando a atenção dos participantes para as possibilidades revolucionárias que a próxima geração tecnológica promete trazer. Cardoso, da Nokia, compartilhou sua visão sobre como o 6G pode levar a experiência de entretenimento a patamares inimagináveis, mencionando a perspectiva de uma ‘Internet de sentidos’, que pode trazer o toque e até o cheiro para o mundo digital. 

Para finalizar, os executivos da IBM e da Globo acrescentaram insights sobre como as mudanças nas experiências de conteúdo – com transmissões holográficas e em 3D, por exemplo -, vão caminhar junto com os novos desafios associados à infraestrutura. 



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