ia ameaca ou ferramenta Da esquerda para a direita: Paulo Martins, Bruno Pina e Diego Aristides

No próximo nível, a IA será ameaça ou ferramenta para a segurança de dados?

4 minutos de leitura

Assunto foi debatido por Paulo Martins, diretor de Segurança da Informação da Embratel, Diego Aristides, CTO do Sírio-Libanês, e Bruno Pina , CEO da Synapse e Advisor de Estratégias de Futuros



Por Redação em 18/04/2024

Uma das perguntas mais em alta, hoje em dia, envolve o futuro da inteligência artificial (IA). Este foi um dos temas de destaque no estande do beOn, o hub de inovação da Claro e da Embratel. Afinal, a IA será uma ameaça ou uma ferramenta para a segurança de dados?

Durante o Web Summit Rio 2024, o espaço beOn se transformou em um palco, recebendo especialistas e convidados para debaterem assuntos relacionados à tecnologia e inovação. E, em 17 de abril, foi a vez de Paulo Martins, diretor de Segurança da Informação da Embratel, receber Diego Aristides, CTO do Sírio-Libanês, e Bruno Pina, CEO da Synapse e Advisor de Estratégias de Futuros.

Para Martins, a principal função da segurança é “garantir que se tenha o benefício das tecnologias que melhoram a vida da população, que aumentam a produtividade das empresas e viabilizam melhores formas de comunicação. Então, é preciso compreender que a IA vai ser implantada, com ou sem a ajuda de segurança”, disparou o especialista, logo no início da conversa.

Aristides, do Sírio-Libanês, deu segmento contando sobre a experiência do hospital, que é referência na área de tecnologia com o uso de IA.

IA: ameaça ou instrumento?

O ponto de partida do debate foi fundamentado no papel da inteligência artificial diante da proteção de informações sensíveis. Segundo Aristides, uma das características do uso de dados na saúde é que eles são informações sensíveis. “Porém, costumeiramente temos o hábito de informar nosso CPF em farmácias quando compramos medicamentos, por exemplo. Veja, são dados sensíveis: seu CPF e seu medicamento”, alertou. Segundo ele, é preciso gerar um equilíbrio nesse ecossistema, de forma que se saiba quais são os dados que podem ser compartilhados e quais não devem ser informados.

“Estamos falando de um dado que está cada vez mais disponível, só que com um desafio enorme, pois, quando olhamos para a saúde, temos, hoje, no Brasil, mais de seis mil hospitais, dos quais 60% não possuem prontuários eletrônicos. Ao mesmo tempo, precisamos falar sobre inovação, sobre open health e de que maneira utilizar a inteligência artificial aplicada ao setor”, completou.
Segundo ele, a IA aplicada à saúde pode gerar uma possibilidade de acessos.

IA na segurança de dados

Bruno Pina falou, pontualmente, sobre o impacto da IA na segurança de dados. “Hoje, a saúde passa por um momento de reflexão. É um setor que traz muitas oportunidades, mas que não teve tempo de amadurecer suas questões, principalmente quando o assunto é a segurança e o uso de IA. Naturalmente, é um sistema que pode ter várias brechas de segurança. Apesar disso, a saúde está em um momento em que se tornou uma vertical horizontalizada e passou a impactar todos os outros setores”, apontou o especialista.

Segundo ele, hoje temos um modelo hospitalocêntrico, no qual o paciente é internado, inicia o tratamento no hospital, faz exames e em seguida recebe um kit e entra em um processo de off board do hospital para continuar o tratamento em casa. “Isso ainda é novidade no Brasil, mas já acontece em alguns países como Inglaterra, Estados Unidos e China. Os pacientes então vão para casa, mas continuam sendo assistidos por uma equipe hospitalar. Imagine uma sala virtual na qual a enfermeira acompanha a evolução e os dados de saúde do paciente remotamente”, sugeriu. Para ele, a saúde faz parte de uma seara na qual a quantidade de dados disponíveis é um ponto sensível, sendo que fazer esse controle é essencial. “É como a ‘caixa de Pandora’ da privacidade de dados. Onde o dado está sendo usado e para o que está sendo usado? Então, cada vez mais precisamos pensar sobre segurança e privacidade, principalmente quando há essa conexão de dados privativos”, completou.

Para Aristides, a tendência é de que a IA convoque o ecossistema a entregar mais, especialmente com mais cuidado na área da saúde. E isso está muito relacionado à segurança de dados. “Para mim, a inteligência artificial chegou em bom momento na área da saúde, justamente quando precisamos, realmente, escalar as atividades com o apoio dela”.

Pina complementa a opinião de Aristides. Segundo ele, quando se fala em tendências no setor da saúde, “não há uma perspectiva para o futuro, que não se conecta com a segurança dos dados, uma vez que este segmento é um vetor de outras indústrias. A indústria da saúde se abre para todas as outras indústrias, como logística, alimentação, varejo, entre outras. Além disso, há dois pontos importantes neste cenário: o primeiro é como o paciente vai lidar com os seus dados e, o segundo, é como a indústria vai lidar com as informações do paciente em relação à segurança e, ao mesmo tempo, com a necessidade de integração destes dados com outros sistemas”, apontou o especialista.

Security by design

Uma das aplicabilidades da IA no Sírio Libanês é o acompanhamento do histórico dos pacientes. Segundo Aristides, o hospital está atento, por exemplo, à realização de exames dos pacientes, para que se possa trabalhar a prevenção e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. “Nós acessamos os documentos do paciente, e com um marcador específico, conseguimos identificar que determinada paciente pode ter um câncer de mama. Então a gente faz um cheque e verifica se ela realmente executou a monografia. Caso não tenha feito, imediatamente o time de saúde entra em contato com ela para marcar para o dia seguinte, porque tem uma outra Inteligência Artificial já trabalhando no agendamento para que essa pessoa faça o exame e inicie o tratamento”, contou.

Para ele é preciso manter o equilíbrio entre entregar mais, no caso do hospital, e ao mesmo tempo, se proteger em termos de segurança digital. Sobre Security by design, Aristides deu uma dica: “Security by design: façam pessoas de tecnologia de digital e de inteligência artificial. Façam as pazes com o time de segurança da informação. Isso é super importante. E quando fizerem isso, vão ver o quanto se pode avançar na construção de novas tecnologias. Qual é a função de segurança? Apesar de ser limitada, é preciso que ela seja cooperativa. Não se trata de um problema da pessoa de segurança ou do time de segurança, não é o nosso problema. Se queremos ter só as vantagens dessas tecnologias, que são maravilhosas e vão trazer muitos benefícios para a população, é preciso conseguir avançar de forma equilibrada”, apontou.

Quer saber mais sobre esse assunto? Assista ao vídeo completo gravado no estande do beOn, hub de inovação da Claro e da Embratel. 

Acompanhe também a cobertura especial do Web Summit Rio 2024, no Próximo Nível.



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