Para transformar é preciso otimizar cultura e processos

Para transformar é preciso otimizar cultura e processos

4 minutos de leitura

Cristina De Luca discute a necessidade de transformar cultura e processos de uma empresa para manter a competitividade na economia digital.



Por Redação em 06/02/2020

Na maioria das organizações, há pressão para fazer mais – mais rápido – a fim de acompanhar o ritmo das dinâmicas do mercado e dos clientes. Hoje isso inclui transformar modelos de negócio e inovar, para manter uma empresa competitiva na economia digital.

O estudo Innovation Leader’s Benchmarking Innovation Impact 2020, da KPMG, comprova que as empresas têm aumentado seus esforços de transformação, ano após ano. Mas o ritmo acelerado de mudanças torna ainda mais crítico que elas sejam capazes de responder a uma pergunta-chave: estamos investindo nas coisas certas – no momento certo – para impulsionar o crescimento para o futuro?

Segundo o estudo, poucas empresas estão conseguindo proporcionar impacto positivo para os negócios com os programas de inovação e transformação digital que têm implatado. Elas formam uma minoria que tem conseguido otimizar alinhamento estratégico, cultura, processo, ferramentas e métricas, atribuir os recursos e o financiamento apropriados e, por fim, entregar os resultados desejados.

O que tem impedido a maioria de fazer as mudanças necessárias? Para 52% dos 215 executivos entrevistados, a política interna e a guerra territorial entre os feudos corporativos. Para 61%, prioridades concorrentes. A tecnologia está lá. Mas crenças e comportamentos precisam mudar, a fim de apoiar a transformação.

Por isso, ter aliados e apoiadores nas diversas esferas da empresa é fundamental. A inovação não é de forma alguma um empreendimento individual, nem deve recair sobre uma única unidade de negócios ou executivo. O apoio da liderança e a estratégia correta são tão ou mais importantes que a tão badalada capacidade de tolerar o fracasso.

OK, empresas avessas ao risco são muito lentas para inovar, e em um mundo de disrupção digital é preciso inovar mais rápido que os concorrentes. Mas a transformação duradoura não pode ocorrer sem liderança e cultura a apoiá-la.

O estudo deixa bem claro também que a inovação transformacional não ocorre da noite para o dia. É preciso paciência, perseverança e uma série de novas atitudes, capacidades e recursos. No final, tudo se resume a encontrar um equilíbrio. Só efetivamente dimensionada a inovação se torna parte do tecido da organização. Muda hábitos, preferências, e pode produzir resultados financeiros demonstráveis.

Tem mais. O relatório deste ano confirma uma tendência já identificada no ano passado: as empresas estão se afastando da proporção comumente aceita do 70-20-10 para a inovação incremental, adjacente e transformacional. Hoje, 52% das iniciativas de inovação estão focadas em atividades adjacentes e transformacionais. O que inclui usar as novas tecnologias digitais, como nuvem, mobilidade, IoT e Inteligência Artificial para otimizar ofertas em mercados existentes, ainda não explorados pela empresa e, sobretudo, criar novos mercados.

A maioria das organizações em processo de transformação digital reconhece que ela é um caminho, não um destino. Não há linha de chegada. É uma evolução que requer uma abordagem multifacetada para pessoas, processos e tecnologia. Embora implantar novas tecnologias seja um componente crucial da transformação digital, sua essência é a experiência humana. Pessoas, corações e mentes…

Os próximos 3 a 5 anos serão decisivos para muitas empresas que terão a chance de reescrever seu modelo de negócio, impulsionadas pelas tecnologias digitais. De transformar pilotos e/ou soluções pontuais em produtos e serviços escaláveis e buscar o verdadeiro retorno do investimento das iniciativas de transformação. De alcançar um estado contínuo de agilidade e capacidade de resposta.

Todas as empresas possuem ativos digitais valiosos. Mas esses recursos continuarão sendo apenas ativos estratégicos latentes se elas não puderem aproveitá-los, reutilizá-los, combiná-los e compartilhá-los de forma segura com parceiros e clientes. E elas só conseguirão fazer isso se reinventarem seus fluxos de trabalho para acomodar mudanças contínuas e entregas contínuas, no melhor estilo da cartilha ágil.

Para maximizar a transformação, os negócios e os líderes precisam questionar tudo – suas operações, processos e formas atuais de trabalhar. E realmente entender o que está e o que não está funcionando, obtendo uma visão clara do que precisa ser mudado e por quê.

A KPMG faz 10 recomendações para que as empresas acelerem a inovação digital:

1. Inove nas bases – Dê às pessoas permissão para inovar em suas tarefas diárias. Isso pode ser feito de várias maneiras. Expandindo a colaboração. Ou permitindo que os funcionários gastem 10 a 20% de seu tempo em inovações que beneficiarão a organização.

2. Defina uma mentalidade de inovação – Considere adicionar cinco minutos no final de cada reunião para revisar o “novo-novo”. E aproveite as ferramentas simples de colaboração tecnológica que permitem a rápida troca de ideias entre membros do time. As equipes podem aproveitar as ideias umas das outras, provocando pensamento criativo.

3. Torne a inovação real – Integre a inovação às métricas tradicionais de desempenho e vendas, incentivando novos pensamentos e novas ideias para recompensar e reconhecer o sucesso.

4. Planeje grande, mas experimente pequeno – Grandes objetivos e grandes ideias podem ter impacto a longo prazo, mas pequenos pilotos e experimentos podem conduzir velocidade e aprendizado rápido. Nem toda inovação precisa ser uma ideia inovadora e disruptiva para causar impacto. Às vezes uma solução simplificada em torno de um problema direcionado – especialmente um que possa ser implementado rapidamente e em escala – pode ser uma parte importante de uma ampla estratégia de inovação.

5. Seja receptivo à diversidade de pensamento – As melhores ideias surgem de equipes onde há inclusão e diversidade de pensamento.

6. Não inove sozinho – A inovação é um esforço de equipe – contando com um ecossistema fluido de parcerias e alianças. Parceiros podem ajuda-lo a desenvolver soluções e produtos digitais, permitindo que seus funcionários e clientes acessem dados de qualquer lugar. Que a informação seja gerenciada de maneira segura e acessível. Que a tecnologia usada garanta desempenho e segurança. E muito mais.

7. Use bem o “Efeito Rebocador” – Assim como um navio nem sempre pode manobrar por conta própria, às vezes uma organização precisa de jogadores e relacionamentos para ajudá-la a mudar de rumo. Ao investir em startups, buscando novos empreendimentos ou fazendo aquisições, as empresas podem acelerar suas estratégias de inovação.

8. Remova o atrito – A inovação bem-sucedida não se traduz necessariamente em KPIs ou ROI padrão. É por isso que a maioria das empresas maduras da pesquisa não medem o sucesso da inovação apenas pelas receitas de novos produtos. Até as startups priorizam outras métricas de resultados importantes (“OKR”) relacionadas à qualidade,
medidas como pontos de contato e interações do cliente, bem como aprendizados e ideias gerados.

9. Foque o que você faz melhor – Toda empresa tem vantagens naturais que podem ajudar seus esforços de inovação. Seja qual for a sua vantagem, use os elementos essenciais ativos para alcançar as metas de inovação.

10. E lembre-se: a inovação é a sua melhor qualificação – A inovação pode ajudar a impulsionar seus negócios, mas também pode ter efeitos importantes para clientes, recrutas, parceiros e outras partes interessadas no seu negócio. E torná-lo um parceiro mais credível e atraente ou um empregador criativo.

Vivemos em um mundo onde uma agenda de inovação acelerada é fundamental para o sucesso. Mas a inovação e a transformação devem ser mais do que um chavão.



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