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4 mitos sobre a Indústria 4.0 | Mundo + Tech

4 minutos de leitura

Custo das tecnologias e aumento do desemprego são alguns mitos que impedem empresas de avançarem na quarta revolução industrial.



Por Redação em 27/02/2019

Principais destaques:

– Empresas devem ver a Indústria 4.0 como fator para o crescimento econômico e operacional;
– Organizações ouvidas pelo Fórum Econômico Mundial citam o alto custo de escalonamento e de investimento como entraves para implementação de tecnologia;
– Exemplos em diferentes países mostram que a inovação pode ser bem mais acessível do que se imagina;
– Veja o exemplo de quatro empresas que ajudam a derrubar alguns mitos da Indústria 4.0.

A Indústria 4.0 não é mais uma tendência e sim um desafio que as empresas precisam encarar para os seus negócios. Mas a implementação de novas tecnologias tem sido vista com certa desconfiança por algumas organizações, de acordo com um artigo publicado no Fórum Econômico Mundial (WEF, sigla em inglês).

O texto cita o “alto custo de escalonamento” e a “dificuldade de justificar o investimento sem retorno a curto prazo” como as principais razões apontadas por líderes de indústrias para justificar a não adoção de tecnologias da Indústria 4.0. A, digamos, má fama das tecnologias e a pressa por resultados faz com que a maioria dos projetos que utilizam Inteligência Artificial, Big Data ou Impressão 3D não passem da fase piloto.

Referências da Indústria 4.0

Sabe-se que discussões sobre a Indústria 4.0 trazem questionamentos e dúvidas quanto a potencializar a adoção e integração de soluções tecnológicas. Para derrubar alguns mitos e incertezas, o Fórum Econômico Mundial criou uma comunidade que reúne empresas que são referência na implementação de tecnologias de ponta, chamada “Manufacturing Lighthouse” (Farol da Indústria, em tradução livre).

Essa comunidade é composta por fábricas com alto índice de sucesso no uso de tecnologias relacionadas à Indústria 4.0 e que servem de inspiração para outras empresas. Atualmente, a iniciativa do WEF já soma 16 líderes que impactaram positivamente a área financeira e operacional de seus negócios.

Com essa iniciativa, o Fórum Econômico Mundial espera ajudar outras indústrias a superarem os desafios na implementação de tecnologias de ponta, mostrando exemplos reais de quem já chegou lá. A intenção é também derrubar algumas lendas sobre a quarta revolução industrial para que estas indústrias consigam aproveitar os benefícios da adoção e integração das soluções tecnológicas.

Confira a seguir como empresas de todo o mundo conseguiram derrubar alguns mitos sobre a Indústria 4.0.

1. Tecnologia é muito cara

O pensamento de que a tecnologia é cara não é recente. Basta lembrar os preços praticados nos lançamentos de aparelhos de DVD, TVs de tela plana e tablets. Mas, o Fórum Econômico Mundial garante que uma empresa “não vai à falência” quando investe em soluções da Indústria 4.0.

A Foxconn, fabricante de componentes para smartphones e outros dispositivos em Shenzhen (China), automatizou seus processos de produção com Machine Learning e Inteligência Artificial para otimizar seus equipamentos, ter uma automanutenção inteligente e monitorar o status da produção em tempo real. O investimento resultou em um ganho de eficiência de 30% e redução no ciclo de estoque em 15%.

Investimentos mais robustos em tecnologia – como robótica avançada e automação – também permanecem com o custo/benefício a favor da inovação, garante o WEF. O preço dessas soluções está em queda enquanto os custos da mão de obra aumentam.

2. Teremos desemprego generalizado

A ideia de que algoritmos inteligentes e robôs irão substituir os humanos em fábricas da quarta revolução industrial é um equívoco, diz o Fórum Econômico Mundial.

O relatório “O Futuro dos Empregos” — uma outra publicação da organização — estima que 75 milhões de empregos irão desaparecer por conta da adoção de novas tecnologias. Em contrapartida, 133 milhões de novas vagas serão criadas em todo o mundo, até 2022, graças a essas mesmas inovações.

O WEF avalia o cenário com perspectiva positiva, visto que essas novas vagas serão mais atrativas, trazendo tarefas mais diversificadas e desafiadoras, com ênfase na criatividade, resolução de problemas e habilidades de comunicação interpessoal. Mas como a empresa pode reutilizar essa força de trabalho? Uma saída é investir na capacitação do seu quadro de colaboradores.

A Tata Steel, multinacional de produção de aço e localizada em IJmuiden (Holanda), criou um centro de treinamento para ajudar os colaboradores a encontrar soluções para a empresa. Até aqui, mais de 200 pessoas foram capacitadas em várias funções, dentre elas cientistas de dados e engenheiros de dados.

3. Para ser sustentável, empresas devem abrir mão do lucro

Implementar soluções tecnológicas avançadas podem ajudar uma empresa a ser mais eficiente e, por consequência, sustentável. Mas para isso acontecer, os líderes precisam deixar de ver o tema somente como uma estratégia de marketing. O Fórum Econômico Mundial ressalta que o tema deve contribuir de maneira positiva para os trabalhadores de uma empresa, a sociedade em geral e o meio ambiente.

E essas mudanças não precisam ser massivas. A adoção de controles inteligentes de iluminação, algo relativamente simples, pode gerar uma economia de 40% na energia usada. Um sistema de gerenciamento de energia que ajude a otimizar o uso de eletricidade de um parque fabril é outra solução que pode ajudar a reduzir o consumo de energia. Em outras palavras, é possível utilizar a tecnologia a seu favor para ter um negócio mais sustentável, sem interferir nos lucros.

4. Indústria 4.0 é apenas para multinacionais em mercados desenvolvidos

A Rold, empresa italiana que desenvolve soluções para máquinas de lavar louça, tem um número pequeno de funcionários e mesmo assim figura na lista elaborada pelo Fórum Econômico Mundial. Com 250 funcionários e orçamento limitado, ela utilizou tecnologias da Indústria 4.0 — relógios inteligentes, prototipagem rápida e painéis digitais — para identificar e resolver desvios de qualidade e perdas de desempenho. O resultado foi um crescimento de receita de 7% a 8% em um ano.



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