5G saúde 4.0

5G habilita a saúde 4.0 na Health Path Day, em São Paulo

4 minutos de leitura

Embratel e Johnson & Johnson Medtech Brasil demonstram cirurgia em tempo real com uso de 5G na capital paulista



Por Redação em 03/11/2022

De acordo com dados da consultoria McKinsey, atualmente 9,5% do PIB nacional são gastos na área de saúde. Em dez anos, a perspectiva é de que esse índice suba para 27%. “Isso acabará se tornando insustentável. Por essa razão, precisamos ter um novo olhar para a saúde, que foque no paciente e na sua qualidade de vida. E a tecnologia tem papel determinante nesta mudança de paradigma”, disse Fabrício Campolina, presidente da Johnson & Johnson Medtech Brasil, durante o J&J Health Path Day, realizado em 29 de setembro, na capital paulista. 

O evento reuniu CIOs e líderes de inovação de várias instituições médicas do país, debateu a transformação digital no setor médico e de que forma tecnologias como inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT), machine learning, cloud e edge computing podem contribuir para a melhoria da saúde e qualidade de vida da população. 

“Um exemplo claro aconteceu durante a pandemia, quando os dados (analytics) nortearam decisões essenciais para controle e predição de novos surtos de Covid-19. Quem conduziu as estratégias de combate à pandemia foram os cientistas de dados”, exemplificou Rodrigo Gosling, CIO do Hospital A.C.Camargo Cancer Center. “A medicina deixa de ser uma ciência de clínicos apoiados em dados para se tornar uma ciência de dados apoiados em clínicos”.

Tecnologia empodera profissionais de saúde

Segundo Campolina, precisamos parar de falar em ‘business cases’ e mostrar casos reais de uso, que demonstrem como a tecnologia amplia o acesso à saúde e contribui para a melhoria de vida das pessoas. Em sua visão, por exemplo, a tecnologia, aliada à análise de dados, permite que os gestores de saúde estabeleçam programas de saúde preventiva, entre outras iniciativas. “Ela nos permite ir além do simples tratamento de doenças. A medicina preventiva deve associar estratégias que permitam desde diagnósticos mais assertivos a uma visão integral do paciente e de seus riscos, tratando a doença antes que ela se manifeste”, explicou. 

Além disso, a tecnologia habilita uma série de possibilidades, como a demonstrada pela Embratel, durante o evento, que comprovou como o 5G pode promover avanços na saúde. “Hoje, já podemos falar em diagnósticos em tempo real, monitoramento da cadeia de pacientes também em tempo real, robótica autônoma conduzindo e empoderando o médico”, afirmou Cristiano Moreira, gerente de Produtos da Embratel. “Inclusive, a IA é determinante em uma sala de cirurgia do futuro e, tanto os dados quanto a robótica autônoma contribuem para decisões mais rápidas, ágeis e eficientes”. 

Cirurgia assistida é viabilizada pelo 5G

Durante o J&J Health Path Day, Embratel e J&J prepararam uma demonstração de uso do 5G em uma situação real de cirurgia assistida. Em uma sala a alguns metros de distância do auditório, foi feita uma simulação cirúrgica, apresentada aos participantes em tempo real, por vídeo. “Essa tecnologia traz várias possibilidades ao setor. Um médico pode ser acompanhado, de forma remota e em tempo real, por especialistas baseados em outras localidades, por exemplo”, explicou Moreira. 

Segundo ele, isso proporciona benefícios para o paciente – dada a adesão ao tratamento e facilidade de acompanhamento, sem que seja preciso se deslocar para outras cidades ou países – e para o médico, que executa o procedimento com segurança e pode ter acesso a outras opiniões, orientação sobre conduta e maior aprendizado. “Além disso, as taxas de sucesso tendem a ser melhores e os procedimentos de menor custo”, observou. 

Na simulação, o cirurgião utilizou um óculos especial, que permite que quem assiste ao procedimento à distância tenha exatamente a mesma visão do campo cirúrgico. Além disso, os instrumentos utilizados também estavam conectados, proporcionando diferentes ângulos de visão. 

As lentes dos óculos também projetam informações para auxiliar o profissional em tempo real. Já para quem assiste à distância, é possível congelar, ampliar imagens e até fazer anotações. “Com isso, o trabalho se torna colaborativo, com um médico em uma ponta e um profissional especialista assessorando em outra”, destacou. 

Thiago Rolim, da Johnson & Johnson MedTech, frisou ainda que a tecnologia não é, necessariamente, ponto a ponto. “Podemos ter até 100 usuários conectados. Isso amplia as possibilidades, inclusive para a capacitação de jovens profissionais. Lembrando que a tomada de decisão é sempre do médico, mas a inteligência artificial e o apoio remoto empoderam as suas decisões”, ressaltou. 

Procedimento assistido é ensaio para cirurgia robótica 

O fato de o 5G ter baixíssima latência é um diferencial importante em uma situação como esta. “Afinal, tudo é transmitido em tempo exatamente real”, frisou Adriano Rosa, diretor executivo de Vendas da Embratel. Segundo ele, nas conexões atuais, qualquer pequeno lapso ou atraso pode resultar no insucesso. 

“Este é um primeiro passo para a cirurgia robótica, ou seja, executada por IoT, sem que o médico esteja presente. Hoje, já existem casos em que o cirurgião manipula um equipamento robótico para executar o procedimento. Porém, com a nova tecnologia e o avanço do 5G, isso também poderá ser realizado com total segurança à distância”, destacou. 

Danielle Gomes, head de Tecnologia da Johnson & Johnson MedTech LATAM, ressaltou que a inovação é um diferencial fundamental para acelerar a transformação digital na área de saúde, ampliando o acesso aos serviços. “Isso só é possível com uma conexão de qualidade, com alta velocidade e baixa latência”, disse.

Neste sentido, a Embratel cita a relevância das redes 5G dedicadas, que oferecem segurança com todos os benefícios do novo padrão de conectividade. “Nas atuais redes privativas virtuais, a criptografia garante toda a segurança contra eventuais ataques. E, como a rede garante conexão em tempo real, os profissionais – e pacientes – ganham confiança com apoio remoto de especialistas e direcionamento especializado em situações de urgência”, completou Moreira. 

Na definição de Ana Cláudia Ferraz, diretora de Vendas da Embratel, o 5G é determinante para vencer os atuais desafios e gargalos da área de saúde. “Neste evento, tivemos a oportunidade de demonstrar, com a J&J Medtech, como o conceito de saúde 4.0 pode ajudar os clientes a alcançarem o próximo nível em cuidados, atendimento e melhoria da qualidade de vida dos pacientes”, concluiu. 



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