Google diz que atingiu marco histórico na computação quântica

3 minutos de leitura

Computação quântica pode ajudar a resolver problemas complexos. Google afirma que conseguiu ao prever informações de um gerador aleatório.



Por Redação em 25/10/2019

Computação quântica pode ajudar a resolver problemas complexos. Google afirma que conseguiu ao prever informações de um gerador aleatório

A semana foi de marco histórico para o Google e para a computação quântica. A Gigante das Buscas afirmou que atingiu a supremacia quântica em um artigo publicado na revista científica Nature, na última quarta-feira (23).

Segundo o Google, um dos computadores quânticos da companhia realizou um cálculo específico em 200 segundos. Algo que uma máquina clássica levaria em torno de 10 mil anos para finalizar a tarefa.

John Martinis, físico experimental da Universidade da Califórnia (Estados Unidos e um dos líderes do projeto), explicou ao site da Nature que a supremacia quântica é vista como um marco para a comunidade cientifica.

FIQUE POR DENTRO: A computação quântica é uma das tendências de tecnologias mapeadas pela Gartner. Saiba mais

Em entrevista, o pesquisador falou que “[a supremacia quântica] prova que os computadores quânticos podem superar os computadores clássico. Embora ela tenha sido comprovada para um caso muito específico, ela mostra aos físicos que a computação quântica funciona como esperado quando aproveitada para resolver um problema complexo”.

Martinis compara o experimento quântico a um programa “Hello World”, que testa um novo sistema o ensinando a exibir essa frase. “Não é especialmente útil por si só, mas diz ao Google que o hardware e software quântico estão funcionando corretamente”, diz o cientista.

Como a possível supremacia quântica foi alcançada?

Computadores quânticos funcionam de maneira diferente de computadores clássicos. O bit clássico sempre vai ser 1 ou 0. Mas um qutbit (bit quântico) pode existir em vários estados ao mesmo tempo. Ou seja, consegue realizar os cálculos simultaneamente.

Neste post do Mundo + Tech você entende mais o que é computação quântica e confere um vídeo do site da revista Wired explicando o conceito.

Quando os qubits estão inextrincavelmente ligados (ou seja, quando não há nada que os desenlace), os físicos podem explorar a interferência entre seus estados quânticos semelhantes a ondas para realizar cálculos que, de outra forma, poderiam levar milhões de anos.

Mas isso é só na teoria.

Na prática, o Google criou o Sycamore, um computador quântico com capacidade de 53 qubits. Eram 54 qubits, mas uma unidade estragou e a companhia desistiu de desenvolver um novo chip e resolveu dar continuidade no projeto.

O desafio para o Sycamore era descrever como funciona o gerador quântico de números aleatórios. Esse gerador entregava informações no formato 0 e 1, mas sem possibilidade dessas informações serem previstas.

Para tentar prever essas informações, o computador do Google foi executado um milhão de vezes, de forma simultânea, para calcular as probabilidades desse gerador. Quando a solução foi encontrada, a equipe teve um novo desafio: validá-la.

A validação aconteceu quando a equipe comparou os resultados com os resultados de simulações feitas por computadores clássicos. Assim, o Google foi capaz de afirmar que a simulação completa levaria 10 mil anos, enquanto o Sycamore conseguiu apenas em três minutos e 20 segundos.

IBM questiona feito do Google

Após o anúncio da supremacia quântica, a IBM fez uma publicação em seu blog oficial questionando o resultado divulgado pelo Google.

Para a IBM, um computador quântico demoraria 2 dias e meio para realizar, em alta fidelidade, o cálculo feito pelo Sycamore.

No post, a IBM disse que o “o significado original do termo ‘supremacia quântica’, como proposto por John Preskill em 2012, era descrever o ponto em que os computadores quânticos podem fazer coisas que os computadores clássicos não conseguem. “Esse limite não foi atingido”, diz a nota..

Outro trecho destaca ainda que o feito do Google não pode ser visto como “prova de que os computadores quânticos são ‘supremos’ em relação aos clássicos computadores.

O que a supremacia quântica representa para a comunidade?

Com esse marco, o Google espera atrair mais cientistas e engenheiros para a computação quântica. Mesmo assim, a companhia alerta que a supremacia quântica não significa que os computadores quânticos já estão prontos para resolver desafios mais complexos.

Pelo contrário, é preciso ainda desenvolver um computador quântico programável. Ou seja, que seja capaz de resolver uma tarefa útil que não pode ser feita de outra forma.

Um exemplo é o cálculo da estrutura eletrônica (estado do movimento de elétrons em um campo eletrostático criado por núcleos estacionários) de uma molécula específica.

Olhando para os negócios, a computação quântica, segundo essa matéria do G1, pode ajudar no desenvolvimento de baterias mais eficientes, medicamento mais eficazes e fertilizantes com menor gasto de energia.

Mas para ter um impacto positivo para o negócio e a sociedade, a comunidade científica tem uma missão: construir sistemas de computação quântica programáveis ​​cada vez mais poderosos e amplamente acessíveis.

Assim, cientistas e pesquisadores vão poder implementar, de forma reproduzível e confiável, uma ampla gama de demonstrações, algoritmos e programas quânticos.

Principais destaques desta matéria:

– Google anunciou que atingiu a supremacia quântica com o Sycamore, supercomputador com 53 qubits;

– Mas IBM questiona feito na história da computação quântica;

– Mesmo assim, conquista representa que cientistas se aproximam mais de resolver problemas complexos com o uso de computadores quânticos.



Matérias relacionadas

cidades mais inteligentes do Brasil Conectividade

Quais são as cidades mais inteligentes no Brasil

Entenda como o Ranking Connected Smart Cities avalia quais são as cidades mais inteligentes do Brasil e como elas estão evoluindo

5g em sp Conectividade

Regulação do 5G em SP avança para 242 cidades

Estado de São Paulo fecha 2023 com mais cidades legalizando a quinta geração de telefonia móvel

conectividade e inclusão digital Conectividade

Conectividade e inclusão digital estão no caminho das cidades inteligentes

Em 2023, 84% dos brasileiros tiveram acesso à internet, mas 29 milhões de pessoas ainda não têm conectividade

brasil satelites Conectividade

Brasil tem potencial para ser líder em satélite na América Latina

Mercado brasileiro pode ocupar um pedaço da indústria espacial global, que deve chegar a US$ 1 trilhão em 2030