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web summit startups Foto: AmandaMelo/Web Summit Rio via Flickr

No Web Summit Rio 2024, falando a língua universal das startups

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Muitas dessas empresas estão na vanguarda de pesquisa e desenvolvimento de soluções para os desafios mundiais



18/04/2024

No momento em que o mundo vive uma espécie de “síndrome do cobertor curto”, com governos, empresas e instituições divididos entre a urgência de combater a crise climática e o imperativo de preparar as pessoas para viver e prosperar na economia digital, a inovação é uma chave-mestra habilmente manipulada pelas startups.

Muitas estão na vanguarda da pesquisa e desenvolvimento de soluções para problemas como mudanças climáticas, saúde pública e desigualdade social, projetando soluções de energia limpa e plataformas de educação inovadoras que podem transformar o aprendizado em escala global.

Essas empresas jovens e ágeis são frequentemente as primeiras a explorar novas tecnologias e modelos de negócio. Elas desempenham um papel crucial não apenas no avanço tecnológico, por meio da resolução criativa de problemas, mas também atuam como catalisadoras de crescimento econômico e transformação social.

Em 2023, a 11a edição do Global Startup Ecosystem Report 2023 (GSER 2023), relatório produzido pelo Startup Genome e a Global Entrepreneurship Network (GEN), mostra que a economia global das startups gerou cerca de US$ 7,6 trilhões em valor, com impactos locais e globais.

Nunca foi tão importante enxergar o ecossistema de startups como objeto de investimento de políticas públicas.  Para começar, é uma forma eficaz de promover o acesso à tecnologia, democratizando as oportunidades de inovação e gerando o tão necessário letramento digital para o século XXI. Além disso, ao apoiar essas empresas, os governos podem fomentar a criação de empregos qualificados e atrair investimentos privados, que são essenciais para a sustentabilidade econômica a longo prazo.

Microcosmo global

Especialmente esta semana, a importância dos ecossistemas de inovação salta aos olhos: o Rio de Janeiro ferve com a agitação do Web Summit Rio 2024 e seus mais de 30 mil visitantes, que vieram para decodificar esse cenário de mudança constante e veloz, e conhecer a próxima grande ideia transformadora. O português foi só mais uma das dezenas de línguas que se ouviu pelos espaços e corredores do Rio Centro.

O Web Summit Rio transformou-se em um microcosmo global do empreendedorismo de tecnologia, com a presença de mais de 1,5 mil startups, 700 investidores e dez delegações internacionais, de países como Estônia, Suíça, Alemanha, Finlândia e Angola, para citar algumas.

Não por acaso, o evento também sediou o encontro de delegações estrangeiras e membros brasileiros do Startup20, o mais recente grupo de engajamento do Grupo dos 20 (G20), criado em 2023, na Cúpula do G20 em Nova Delhi.  O encontro no Web Summit Rio é uma preparação para a Cúpula anual do G20, que acontece no Rio de Janeiro em novembro. O Brasil tem a presidência do G20 até o dia 30 de novembro. Por conta disso, o Startup20 é liderado este ano pela Associação Brasileira de Startups, cuja presidente é Ingrid Barth.

O G20 é constituído por Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, República da Coreia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Türkiye, Reino Unido e Estados Unidos, União Europeia e União Africana.  Seus membros representam cerca de 85% do PIB global, mais de 75% do comércio global e cerca de dois terços da população mundial.

Métrica para países

Embora as startups do G20 representem, juntas cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do grupo, entre os países há uma grande variação. Nivelar esse patamar é um dos objetivos do Startup20, bem como eliminar barreiras comerciais, promover o acesso a múltiplos mercados e criar um ambiente regulatório favorável e coeso.

Alguns países possuem ecossistemas maduros com infraestruturas bem estabelecidas, incluindo acesso a capital de risco, redes de mentoria, incubadoras e aceleradoras, contribuindo significativamente para suas economias. Outros países ainda estão no início desse desenvolvimento ou carecem de um ecossistema de startups desenvolvido, enfrentando desafios como acesso limitado a financiamento, barreiras regulatórias e falta de cultura empreendedora.

Um desafio importante para o crescimento dos ecossistemas de startups é a falta de compartilhamento de conhecimento entre nações. Muitos operam isoladamente, o que desacelera o crescimento econômico. A colaboração e o intercâmbio de melhores práticas são necessários para acelerar o desenvolvimento desses ecossistemas e superar desafios comuns.

Nesse sentido, foi uma surpresa boa o anúncio na terça-feira (16/4), no Rio de Janeiro, do APEXE Nations Report, um projeto que junta Startup Genome, Global Entrepreneurship Network, ABStartups o o Startup20. A palavra APEXE é um acrônimo para “Aptitudes and Policies for Exponential Entrepreneurship”, explicou o diretor de pesquisas da Startup Genome, Christopher Haley, ao apresentar o projeto.

O APEXE gerará um index comparando os países em termos de desempenho de startups e identificando o que contribui para um ecossistema de startups de sucesso, incluindo talento, acesso ao capital financeiro e infraestrutura de apoio. Os resultados serão divulgados em novembro, antes da reunião do G20.

A intenção é chamar a atenção dos decisores políticos nacionais para ações que possam ajudar as startups a prosperar e, em última análise, impulsionar a sua economia. Estabelecer uma metodologia padronizada para medir as economias das startups em escala nacional parece ser um passo extremamente importante. Afinal, como dizia Peter Drucker, só conseguimos crescer aquilo que conseguimos medir.

*Silvia Bassi é jornalista especializada em tecnologia e internet. Atualmente é Publisher e cofundadora da plataforma The Shift.



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