competitividade digital do Brasil

Brasil precisa avançar em competitividade digital

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A quinta edição do Ranking de Competitividade Digital mostra que o Brasil está em 51º lugar na comparação mundial; na América Latina, o país ocupa a segunda posição



Por Redação em 14/02/2022

Em uma lista de 64 países analisados, divulgada em 2021, o Brasil permanece na 51ª posição (mesma colocação do levantamento feito em 2020) no que diz respeito à competitividade digital. O resultado é de um ranking realizado pelo International Institute for Management Development (IMD), em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC) e com apoio do Instituto IT Mídia. 

O relatório avalia as “condições que um país cria para adotar, criar e promover tecnologias digitais nos setores público e privado”. Nesse sentido, foram analisados três fatores em cada nação: o conhecimento, a tecnologia e a prontidão futura. Os Estados Unidos lideram a lista de competitividade. Hong Kong é o 2º e Suécia o 3º. A China está na 15ª posição, já que Hong Kong e Taiwan são considerados separadamente no ranking.

Entre os países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil só ficou à frente da África do Sul. Já na América Latina é o 2º, atrás apenas do Chile.

Ataques de ransonware comprometeram competitividade nacional

O ranking mostrou que o Brasil conseguiu avançar em relação ao ano anterior em alguns quesitos, como conhecimento e tecnologia. Mas a prontidão futura (fator que mede o nível de preparo da economia para incorporar inovações) teve queda. Além disso, também pesou a questão dos ataques cibernéticos, já que o Brasil ficou em 5º lugar na incidência de ransonware.

Outro aspecto que comprometeu a classificação brasileira, ligado à prontidão futura, foi a forma como cada país lidou com os reflexos sanitários e econômicos da pandemia. Na análise do ranking, isso compromete a recuperação econômica. 

Além disso, entre as principais perdas está a queda de assinantes de serviços de banda larga móvel, que passou de 89,2% da população para 75,7%. 

Brasil precisa avançar no quesito conhecimento

O país também teve outros resultados não tão favoráveis, nos demais quesitos analisados. No fator conhecimento, por exemplo, são analisados três subfatores: Talento; Treinamento e Educação; e Concentração científica, nos quais o Brasil se encontra nas posições 63º, 58º e 21º, respectivamente. 

Tais resultados refletem algumas questões, como a deficiência no setor de educação. A implementação de recursos de tecnologia ainda é um desafio para as escolas. De acordo com um levantamento realizado em junho de 2021 pela Fundação Lemann, apenas 3,2% das escolas brasileiras possuem acesso à internet em padrão internacional, ou seja, com velocidade adequada. 

Além disso, o relatório destacou que é possível verificar a falta de capacidade do país em reter e atrair mão de obra qualificada. Segundo o último ranking de competitividade Global de Talentos, realizado em 2020 pela INSEAD, o país ficou em 80º lugar entre 132 nações.

Já no relatório de Competitividade Global do IMD 2021, o Brasil se enquadra na 44ª posição entre 64 países avaliados no quesito fuga de cérebros.

Pontos positivos

Mas nem todos os resultados nacionais foram ruins. “Apesar de ter mantido a 51ª posição, o estudo destaca pontos positivos interessantes para o Brasil, como o aumento do investimento em telecomunicações. O leilão 5G foi um marco, não apenas por proporcionar conectividade com excelência, mas porque será o grande vetor do desenvolvimento tecnológico do país na próxima década”, afirmou Vitor Cavalcanti, diretor do Instituto IT Mídia, de acordo com matéria da Exame.

Além disso, o relatório destacou o investimento em telecomunicações, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), que foi de 0,5%, e a percepção de que o treinamento dos funcionários é uma das prioridades das empresas, quesito em que o Brasil passou da posição 59º para 43º.

Outro aspecto favorável foram as inovações em algumas cidades brasileiras, como Foz do Iguaçu (PR), onde foi implantado o programa Acelera Foz, para recompor perdas econômicas decorrentes da queda do setor de turismo durante a pandemia. Florianópolis (SC) também é citada como exemplo, seja pelo desenvolvimento de novas atividades econômicas, seja por ser considerada a segunda cidade mais inteligente do país, de acordo com o ranking Geral do Connected Smart Cities de 2021.

Recife (PE) também foi apontada entre os destaques pela iniciativa de cooperação entre a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), instituições privadas e da Secretaria de Ciência e Tecnologia, para qualificação de ex-alunos da rede pública.



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